Sem Retorno

SEM RETORNO - O pesadelo do Jack


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É sabido que os sonhos são manifestações do inconsciente, trazendo à tona nossos desejos mais secretos e traumas ainda não superados. O que não é muito divulgado é que o nosso cérebro percebe todos os sonhos como se fossem reais. Por isso, dependendo da complexidade, os nossos pesadelos podem literalmente nos matar.


Certa noite, por volta das duas da manhã, adormeci com os fones de ouvido enquanto escutava música para relaxar. Era uma madrugada fria e chuvosa, o clima estava perfeito para uma ótima noite de sono, não fosse o pesadelo super realista que meu cérebro, castigado pelas preocupações, manifestou.

Sem saber que dormia, ouvi os cães latindo, tentei levantar, mas algo impedia. Cada fibra do meu corpo gritava para que eu levantasse, aquele pressentimento de que algo ruim estava por vir. Após a luta intensa contra as forças que me puxavam para a cama, consegui levantar e abrir a porta. Fui ao quintal e um filhote, latindo desesperadamente, tentava me avisar que alguém precisava da minha ajuda.

Ao sair de casa em busca desse alguém, me deparei com um ambiente desconhecido, como se tivesse sido teletransportado até lá. Eu nunca estive ali antes, nem conhecia as pessoas com as quais cruzei neste local. Era um lugar sombrio, com pessoas de fisionomia séria e olhar maldoso. Eu sabia que corria perigo e precisava achar o caminho de volta rapidamente.


Por mais que andasse não chegava a nenhum local conhecido, eu pedia informações e era mandado para outro local com uma carga sombria maior que a anterior. As pessoas para as quais solicitei informações me seguiam, então tentei me distanciar de qualquer jeito. Entrei em diversas ruas para despistá-las e em uma delas, havia cães que rosnavam  enquanto se aproximavam para sentir meu cheiro. Foi uma sensação horrível, pois pensei que seria despedaçado pelos seus dentes enormes, mas no fundo eu sabia que os cães não estavam ferozes por minha causa. 


Após passar pelos cães, invadi o terreno de uma propriedade que achei familiar, queria cortar caminho e retornar para casa mais rapidamente. Ao adentrar, notei se tratar de um hospício e à medida que cruzava o terreno, os loucos que lá viviam, puxavam meus braços e roupas como se quisessem me manter preso ali com eles. 


Ao sair dali, encontrei um local conhecido e comecei a correr o mais rápido possível para casa, mas depois de um tempo, ao invés de chegar, me deparei com outro local totalmente escuro, não havia iluminação pública e nem lua para iluminar a estrada. Acendi a lanterna do celular e, para meu desespero, as pessoas que me perseguiam estavam lá. Elas tentaram me arrastar para uma casa de madeira, muito velha e sem janelas. eu lutei com tudo que podia, chutes, socos e mordidas, até que despertei com o coração acelerado e gritando por socorro, tamanho o pavor que senti.


Inexplicavelmente, naquele momento, eu soube que aquelas pessoas eram, na verdade, espíritos malignos que tentavam roubar minha alma para me tornar um deles e mesmo estando esgotado fisicamente e psicologicamente, não me atrevi a dormir novamente. Eu não queria e nem suportaria passar por aquilo outra vez. Ainda não posso dizer que decifrei a mensagem que meu inconsciente tentou passar, mas, sem dúvida, há algo perturbador que eu preciso encarar e resolver.


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